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terça-feira, 9 de agosto de 2016

E A REALIDADE?


Uma viagem Olímpica, 2016 – Rio de Janeiro

Penso que os jogos olímpicos em toda essência e mensagens que são peculiares, nos transmitem sensações, num misto muito forte de emoções, alegrias, tristezas, frustrações e apogeu, esse último, mais relacionado ao atleta, do que propriamente a nação, pois quem desfruta da maior parte desse bolo é o merecedor dele. Aquele que se dedicou, empenhou, ralou, chorou, competiu, ganhou!

Desde a Grécia antiga (há 2.168 anos) o significado é, união dos povos, paz entre as nações que disputam os jogos, respeito às regras, e tudo, realizado milimetricamente conforme convencionado desde a sua criação. Existe um padrão, é inegável, e o que se pode perceber é que, em todas as cidades onde são realizados os jogos, o engessamento dos pauperizados é pontual.

Ontem, como a realização dos Jogos é na cidade do Rio de Janeiro, estive em uma das Arenas (Rio Centro). O que pude perceber, e o que ficou claro e evidente, é que as mídias, o governo Federal, Estadual e Municipal e a camada mais abastada da população, os donos de um País reificado, ratificam essa reificação quando produzem através dos meios de transporte a cauterização psicológica simbólica, daqueles que se deslocam para assistir um evento.

É necessário entender que essa cauterização psicológica simbólica, acontece de maneira sutil, contudo peculiar, que na sua diversidade fica invisível pelas emoções que produzem na sua execução. Ao partir para jornada esportiva, primeiro Pira do Povo, Candelária, o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), conduz até uma estação do Metrô, onde, na empolgação percebe-se as belezas do antigo bonde, numa versão mais atualizada que, esconde e deixa a margem, a história que não pode se apagar, a chacina da Candelária ocorrida em 23 de julho de 1993.

Na estação Carioca do Metrô, à sua volta, a população invisível de Rua, está ali firme, demarcando o contraste social, resultado das injustiças sociais recorrentes no país, bem ali pertinho, para quem quiser ver, porém, a direção dos jogos é para a Zona Sul, o que significa, passar correndo pelos invisíveis, pois as próximas estações subterrâneas não possibilitam contemplar tais desigualdades. 

Chegando na Estação General Osório, ali por dentro da estação mesmo, para que não haja possibilidade de perceber ou ver a nossa realidade de tantos anos, lá fora, dormindo ou com fome, o certo é, que debaixo de alguma marquise tem alguém morando. Desce a escada até chegar ao trem, já no vagão, encontramos ali, americanos, holandeses, alemães, franceses, japoneses, brasileiros e tantas outras nacionalidades, numa torre de babel metroviária memorável.

A viagem continua escondendo o nó social, que os governantes, não desatam há muitos anos, e nesse caso em especial, os problemas sociais, ”podem esperar”, pois, é só um curto período de jogos! Continua a viagem, agora do Metrô, até chegar à Estação do BRT ((Bus Rapid Transit), de maneira que o ser humano saia do VLT, entre no Metro, passe para outro trem e por fim, ali por dentro mesmo, embarque no BRT até as Arenas.

Como veremos a triste realidade do Rio, um Estado falido, se intrinsecamente através dos transportes escondemos embaixo do tapete?

A proposta aqui é essa, uma reflexão dialógica, no sentido da construção que possibilitem alternativas na consciência do devir, e que, recrudesça na ressignificação das práticas utilizadas que visem compreender o nosso papel na sociedade sem prejuízos para a população. A intencionalidade, não está em criticar os jogos, quiçá os atletas que desempenham seus papeis com maestria, visto que, estão inseridos na lógica esportiva em todas as dimensões. A crítica perpassa por perceber que através da ideologia da melhoria do sistema de transporte, que não é top 10, que nessa configuração constitui-se no isolamento simbólico do cidadão, numa construção a qualquer preço, para que possibilite tudo, de tal maneira que, os que chegam de fora do País, não se assuste, não percebam. Mas gaste!

Nas minhas considerações finais, não posso deixar de registrar que as mídias contribuem para essa ideologia do isolamento simbólico, quando não registram que, ao término dos jogos na Barra da Tijuca, quase uma hora da manhã, o mesmo transporte que deixa 70% da população na Zona Sul e adjacência nas portas de suas casas, despeja no Centro do Rio, Zona Norte ou Baixada Fluminense os outros 30% que ficam jogados a própria sorte, pois, onde estão a essa hora da madrugada, o VLT, as barcas e os BRT’s? Welcome reality ou bem vindo à realidade!


Não percebemos, nesse caso o significado de dignidade da pessoa humana, que implica respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas. Esses temas transversais fazem com que a nossa participação como princípio democrático, traga a noção de cidadania ativa, isto é, da complementaridade entre a representação política tradicional e a participação popular no espaço público, compreendendo que não se trata de uma sociedade homogênea e sim marcada por diferenças de classe, étnicas, religiosas etc.


Nessa perspectiva,  a corresponsabilidade pela vida social implica partilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais, ou não, a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva. É nesse sentido, a responsabilidade de todos a construção e a ampliação da democracia no Brasil.


Logo, o que não é concebível nesses dias de jogos olímpicos, é fingir que esse Estado se construa da Carioca a Barra da Tijuca dentro dos trens e ônibus, visto que, as desigualdades sociais existem, e são bem marcantes, assim, a nossa luta perpassa pela desconstrução, para que não se consolide ou perpetue, uma frase do senso comum, que afirma, que os direitos são iguais para todos.

Portanto, uma vez que, igualdade de direitos refere-se à necessidade de garantir a todos a mesma dignidade e de exercício de cidadania. Para tanto há que se considerar o princípio da equidade, isto é, que existem diferenças (étnicas, culturais, regionais, de gênero etc), e desigualdades (socioeconômicas) que necessitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançadas. Então o que estamos vivenciando permeia o oposto da compreensão do que de fato representa tal igualdade, e para tanto, deixo uma reflexão, após essa longa viagem. Direitos iguais para quem?



Jacy Marques Passos

quinta-feira, 28 de julho de 2016

DIA MUNICIPAL DO EDUCADOR SOCIAL 19 DE SETEMBRO

DIA MUNICIPAL DO EDUCADOR SOCIAL 19 DE SETEMBRO - Saiba Mais no Site

VEJA A TRAJETÓRIA: 1° A MINUTA NA INTEGRA, ENTREGUE POR MIM, AO PROFESSOR PAULO EM SEU GABINETE:

MINUTA DE PROJETO DE LEI MUNICIPAL
DE 29 DE SETEMBRO DE 2015.
MENSAGEM

ASSUNTO: Proposta que dispõe sobre a criação do Dia do (a) EDUCADOR(A) SOCIAL 19 de Setembro

PROPONENTE: Sr. JACY MARQUES PASSOS – Inscrito no CPF n°xxx.xxx.xxx-04 e CI n°XXXXXXXX-9, profissão Educador Social no Município de São Gonçalo, SMDS, cursando 3° período de Licenciatura em Pedagogia, casado, residente e domiciliado no Município de São Gonçalo desde 1974.

FUNDAMENTAÇÃO: Competência: Profissional que visa garantir atenção, defesa e proteção a pessoas em situações de risco social e pessoal, vulnerabilidade relacional, e adolescente em conflito com a lei. Procura assegurar seus direitos, abordando-as, identificando suas necessidades e demandas e desenvolvendo atividades e tratamento.  Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego (CBO-MTE) n°s: 5153-05, 5153-10, 5153-15, e 5153-25.
O Dia Nacional do (a) Educador (a) Social é um Projeto de lei desde 11/03/2008, aprovado na Camara em 14/05/2015, comemorado também em diversos estados e municípios do País. Foi escolhida a data natalícia do Mestre e Educador Paulo Freire, 19 de Setembro, como homenagem a este ícone da Educação Popular e Social.

Alem dessas razões registro também os inúmeros Concursos Públicos para EDUCADOR(A) SOCIAL, em todo o País. Nosso Município dispõe de 02 (dois) Equipamentos Municipais de Acolhimento, alem dos 03 (três) particulares e ONGs que admitem esses profissionais nos espaços internos e também, nas ruas com abordagens, alem dos Projetos Sociais existentes. São Gonçalo hoje, conta com cerca de 500 profissionais com formação e capacitação continuada, porem, muitos atuam em outros Municípios.
 I. Senhor Presidente, Senhores Vereadores. Anexo, encaminhamos a esta Egrégia Câmara, os dados para o qual pedimos apreciação. Esta proposta visa valorizar a nossa profissão e dispõe sobre a Política Municipal da Criança e do adolescente que, consideramos uma prioridade em o nosso Município. Teve a participação decisiva da comunidade de Educadores Sociais locais, através reuniões realizadas com estes profissionais. A Proposta visa estabelecer um dia especial de luta e um legado de ações em Rede no Município com a participação desses profissionais com um papel tão relevante, nos mais diversos espaços de atuação, na luta que se trava todos os dias contra as drogas, a violência, o abandono, maus tratos, abusos enfim, demandas que se apresentam a este profissional com perfil de cuidador (a) e garantidor (a) de direitos, e que atua em diversas frentes, em conformidade com as Leis vigentes, Constituição Federal em seu Artigo 227 regulamentada pela Lei 8069/90 que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Código Civil Brasileiro e LOAS, atendendo aos princípios da política Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em suas representações: CONANDACEDCA eCMDCA, Vara da Infancia, adolescência e Idoso, Conselhos Tutelares, bem como a RESOLUÇÃO Nº 109, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2009 do SNASSendo o que temos para o momento, subscrevemo-nos, renovando elevados protestos de estima e distinta consideração, contando com a aprovação da presente Proposta. Cordialmente,

Jacy Marques Passos
EDUCADOR SOCIAL
EXMO Sr. VEREADOR  _____________________________
CÂMARA DE VEREADORES


São Gonçalo-RJ.


2° PASSO: APROVAÇÃO NA CÂMARA DOS VEREADORES:

AGORA É LEI: 

( DIA MUNICIPAL DO EDUCADOR SOCIAL - DIA 19/09 ) 



APROVADO DIA 10/05, NA AUDIÊNCIA PÚBLICA EM SÃO GONÇALO, RIO DE JANEIRO - RJ. AGRADECEMOS A TODOS OS VEREADORES EM ESPECIAL, PROFESSOR PAULO E AO PREFEITO NEILTON MULLIN QUE SANCIONARÁ A LEI. 

OBRIGADO POR TUDO MEU DEUS!


EDUCADORES SOCIAIS, VAMOS COMEMORAR!




3° PASSO: A LEI SANCIONADA EM 26/07/2016 PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL 27/07


LEI 692  2016


INSTITUI O  DIA MUNICIPAL DO EDUCADOR SOCIAL EM SÃO GONÇALO


A NOSSA LUTA NÃO PODE PARAR!!!!

JACY MARQUES PASSOS

VAMOS A LUTA COMPANHEIOS (AS)!





segunda-feira, 25 de julho de 2016

CLASSIFICAÇÃO DA CIENCIA

Ciência, no singular, refere-se a um modo e a um ideal de conhecimento que examinamos até aqui. Ciências, no plural, refere-se às diferentes maneiras de realização do ideal de cientificidade, segundo os diferentes fatos investigados e os diferentes métodos e tecnologias empregados.

SEGUNDO ARISTÓTELES:

A primeira classificação sistemática das ciências de que temos notícia foi a de Aristóteles, à qual já nos referimos no início deste livro. O filósofo grego empregou três critérios para classificar os saberes:

1ª Critério da ausência ou presença da ação humana nos seres investigados, levando à distinção entre as ciências teoréticas (conhecimento dos seres que existem e agem independentemente da ação humana) e ciências práticas (conhecimento de tudo quanto existe como efeito das ações humanas);

2ª Critério da imutabilidade ou permanência e da mutabilidade ou movimento dos seres investigados, levando à distinção entre metafísica (estudo do Ser enquanto Ser, fora de qualquer mudança), física ou ciências da Natureza (estudo dos seres constituídos por matéria e forma e submetidos à mudança ou ao movimento) e matemática (estudo dos seres dotados apenas de forma, sem matéria, imutáveis, mas existindo nos seres naturais e conhecidos por abstração);

3ª Critério da modalidade prática, levando à distinção entre ciências que estudam a práxis (a ação ética, política e econômica, que tem o próprio agente como fim) e as técnicas (a fabricação de objetos artificiais ou a ação que tem como fim a produção de um objeto diferente do agente).

quarta-feira, 29 de junho de 2016

HERANÇA CULTURAL BRASILEIRA

As resistências ocorridas nas terras que viriam ser Colônia Portuguesa, pressupõe a existência do povo indígena, que já vivia aqui anterior à colonização, com seus costumes, hábitos e cultura bem definidos. A imposição da religião católica, pelos colonizadores, aos autóctones, na perspectiva da posterior escravização dos indígenas, resultou em resistências às tentativas portuguesa. O objetivo não fora contemplado, visto que, resistência do povo indígena à escravização, se deu por diversos aspectos, principalmente, pelo viés cultural de um povo que tinha sua liberdade ameaçada .
Nesse sentido, os colonizadores portugueses, após o insucesso nesse primeiro embate, iniciam a escravização comercial dos negros africanos, com imposição da religião, com recorte para o etnocentrismo. Com o País dividido em capitanias, muita exploração dos colonizadores, os africanos escravizados organizam-se, primeiro em irmandades, como forma de preservar os vínculos afetivos em famílias extensas objetivando não se perder a identidade que, após séculos de escravização era consequência natural.
As resistências dos Africanos escravizados, perpassam pelas fugas, dos negros que se embrenhavam nas matas e, ali construíam comunidades, onde, sobreviviam e comercializavam produtos. Essas comunidades denominadas quilombos ou mocambos, representavam a resistência à escravização de um povo. Todas as fugas, tinham seus objetivos intrínsecos em resistir a escravização, além das revoltas, conspirações e, o emblemático Levante dos Malês, que culminou em deportações, açoites e mortes de africanos escravizados.
Portanto, a resistência às escravizações dos indígenas e africanos, tinham significados preeminentes e, recrudesceu nas imposições da religião e da cultura (etnocentrismo), dos colonizadores sobre os povos aqui existentes. Nesse contexto, resultou na construção e na produção da rica cultura, a brasileira, que perpassa pelos diversos fatores como, o sincretismo religioso, as etnias totalmente diferentes, relacionadas aos  costumes, hábitos de cada povo que, nos deixaram um legado cultural, sem dúvida, depois de muitas vidas ceifadas, que permeia gerações de brasileiros natos, herdeiros da mestiça e impregnado culturalmente, das influencias das matrizes africanas, da cultura europeia e, muito importante, do povo indígena originalmente, povo brasileiro.
Jacy Marques Passos

quinta-feira, 23 de junho de 2016

PODER SIMBÓLICO - PIERRE BOURDIEU -




PODER SIMBÓLICO 

A novidade na obra de Pierre Bourdieu encontra-se na variedade dos objetos de sua análise. O poder simbólico é um desses temas ao qual Bourdieu se dedica. Para ele, o poder simbólico é esse poder invisível que só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que estão sujeitos a esse poder ou mesmo daqueles que o exercem.
 Bourdieu se concentra nas situações em que esse poder é normalmente ignorado, fato que nos permite intuir que esse poder é plenamente reconhecido pelos agentes envolvidos.

O capítulo em questão aqui leva o título da obra, "O Poder Simbólico", e está dividido em quatro subtítulos. No primeiro deles, Bourdieu considera a arte, a religião, a língua, etc., como estruturas estruturantes, citadas algumas vezes por ele como modus operandi, uma expressão do latim que significa modo de operação. Utilizada para designar uma maneira de agir, operar ou executar uma determinada atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos, seguindo sempre os mesmos padrões nos processos. O segundo subtítulo fala dos sistemas simbólicos como estruturas estruturadas ou opus operatum. No terceiro subtítulo, Bourdieu trata das produções simbólicas como instrumentos de dominação. Por fim, trata dos sistemas ideológicos legítimos. \muito bem, vamos por parte, pois os escritos de Bourdieu são realmente densos e merecem toda a atenção e a maior paciência.

Segundo Bourdieu, a tradição neo-kantiana trata os diferentes universos simbólicos como instrumentos de conhecimento e de construção do mundo dos objetos, ou seja, como formas simbólicas, reconhecendo assim a ação e a importância do conhecimento. Bourdieu faz algumas considerações abrangendo os pensamentos de Émile Durkheim (pai da Sociologia Moderna que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica) e de Erwin Panofsky (grande crítico da arte alemã e um dos principais representantes do método iconológico. Sua grande obra foi um estudo sobre a Arquitetura Gótica e Escolástica: uma analogia sobre a arte, a filosofia e a teologia na Idade Média).

 Para Bourdieu, Durkheim representava a tradição Kantiana exatamente por procurar respostas “positivas” e “empíricas” ao problema do conhecimento e não se contendo apenas ao apriorismo ou ao empirismo separadamente. Ao lançar fundamentos de uma sociologia das formas simbólicas, que neste caso equivaleriam a formas de classificação, Durkheim explicita o caráter transcendental que faz essas formas de classificação se tornarem formas sociais, se aproximando dessa maneira da teoria de Panofsky, onde as formas sociais são socialmente determinadas, ou seja, são relativas a um determinado grupo particular, logo são formas sociais arbitrárias.
Segundo Bourdieu, nesta tradição, a objetividade do sentido do mundo define-se pela concordância das subjetividades estruturantes, ou seja, o julgamento é igual ao consentimento, ou, em suas palavras, o senso é igual ao consenso.

Já para os sistemas simbólicos como estruturas estruturadas, Bourdieu considera que são passíveis de uma análise estrutural. Essa análise estrutural tem em vista isolar a estrutura permanente de cada produção simbólica. O Poder Simbólico é um poder de construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnosiológica, ou seja, o sentido do mundo supõe um conformismo lógico, uma concepção homogênea que torna possível a concordância entre as inteligências. Destarte, os símbolos são instrumentos de integração social. Enquanto instrumentos de conhecimento e comunicação eles tornam possível o consenso acerca do sentido do mundo social que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social.

Já para descrever as produções simbólicas como instrumentos de dominação, Bourdieu se baseia na tradição marxista que privilegia as funções políticas dos sistemas simbólicos em detrimento da sua estrutura lógica e da sua função gnosiológica. Este funcionalismo explica as produções simbólicas relacionando-as com os interesses das classes dominantes. A cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante, assegurando uma integração e uma comunicação entre os membros dessa classe e ao mesmo tempo os distingue de outras classes. Daí surge um importante conceito desenvolvido posteriormente por Bourdieu: a distinção. Pois a mesma cultura que une por intermédio da comunicação é a mesma cultura que separa como instrumento de distinção, que legitima a diferença das culturas exatamente pela distância da cultura em questão em relação à cultura dominante.

Bourdieu considera que as relações de comunicação são sempre relações de poder que dependem do capital material ou simbólico acumulado pelos agentes. Os sistemas simbólico, enquanto instrumentos estruturados e estruturantes de comunicação e conhecimento, cumprem sua função política de imposição e de legitimação da dominação de uma classe sobre a outra, agindo como uma forma de violência simbólica.

Dessa maneira, Bourdieu conclui sobre as produções simbólicas como instrumentos de dominação da seguinte maneira: o campo de produção simbólica é um microcosmos da luta simbólica entre as classes. Assim, a classe dominante, cujo poder está pautado no capital econômico, tem em vista impor a legitimidade da sua dominação por meio da própria produção simbólica.

Por fim, Bourdieu disserta sobre os sistemas de produção ideológica legítima, como instrumentos de dominação estruturantes exatamente por serem estruturados, reproduzindo de forma irreconhecível a estrutura do campo das classes sociais. Em outras palavras, os sistemas simbólicos produzidos por um corpo de especialistas e mais especificamente por um campo de produção autônomo é uma dimensão do progresso da divisão do trabalho social, portanto, da divisão das classes.

Concluindo: para Bourdieu, o poder simbólico é um poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força física ou econômica e só se exerce se for reconhecido, o que significa que ele acaba sendo ignorado, passa despercebido. Assim, o poder simbólico é uma forma irreconhecível e legitimada.

Então meus amigos e minhas amigas, tentar entender Bourdieu significa mergulhar de cabeça em seus escritos profundamente densos e perspicazes, tarefa que só é possível de ser minimamente alcançável após longas horas de interpretação, de total imersão nessa obra esplêndida que ainda não é considerada como um clássico, mas certamente um dia o será.
Espero que vocês façam uma boa leitura dessa resenha e que assim, possam depreender mais informações ao se depararem com a obra original. Aguardo ansioso pelos comentários e pelas críticas, pois a opinião polifônica é um caminho muito salutar para as Ciências Sociais.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A PEDAGOGIA SOCIAL


PONTOS DISCUTIDOS NA ECO 92 - RIO DE JANEIRO

  •     O crescimento econômico atual se dá através do crescimento das desigualdades;
  •     O crescimento baseado na economia de mercado levada às últimas consequências pode aprofundar as desigualdades e dentro das nações e entre elas;
  •     O crescimento econômico atual transfere para a sociedade os custos sociais e ambientais da exploração do meio ambiente, alargando as desigualdades sociais e econômicas;
  •     A parceria para administrar o meio ambiente requer maior justiça econômica para os países em desenvolvimento;
  •     Os países em desenvolvimento necessitam de ajuda econômica para saírem do duplo nó: pobreza e destruição ambiental;
  •     É necessário deter o consumo excessivo, principalmente dos países do primeiro mundo.



A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ECO92 trouxe Chefes de Estado de mais de 130 países para o Rio de Janeiro. Dentre os vários documentos produzidos na ECO92, destacam-se:
  • Ø  Carta da Terra: declaração de princípios da ECO92, sem força de lei e sem detalhamento de medidas concretas a serem adotadas.
  • Ø  Agenda 21: documento operacional da ECO92, se constituindo em um “verdadeiro plano de ação mundial" para orientar a transformação de nossa sociedade.
  • Ø  A Agenda 21 é dividida em 40 capítulos, com mais de 600 páginas. O capítulo 36 trata da Educação Ambiental e define como áreas prioritárias:
  • Ø  “... a reorientação da educação na direção do desenvolvimento sustentável”;
  • Ø  “... a ampliação da conscientização pública, compreendendo ações destinadas às comunidades urbanas e rurais, visando sensibilizá-las sobre os problemas ambientais e de desenvolvimento”;
  • Ø  “... o incentivo ao treinamento, destinado à formação e à capacitação de recursos humanos para atuarem na conservação do meio ambiente e como agente do desenvolvimento sustentável”. 


Fonte: Arquivos da Unama – Universidade da Amazônia, disponível em: <http://arquivos.unama.br/nead/gol/gol_cont_8mod/contabilidade_ambiental/pdf/aula02(27).pdf>.   Acesso em: 15 jun. 2011.

terça-feira, 14 de junho de 2016

PEDAGOGIA SOCIAL: CONTRIBUIÇÃO À SUA AFIRMAÇÃO



ACESSE O ARTIGO ATRAVÉS DO LINK:


http://projetopipasuff.com.br/revista/artigos/TEXTO%20JACI.doc.pdf


Autor: JACY MARQUES PASSOS

PEDAGOGIA SOCIAL E A LINGUISTICA



A Pedagogia Social na linguística:

Apesar de todos os estudos da linguística, com o objetivo de demonstrar a realidade da diversidade da língua em nosso país e da percepção de alguns professores de sua importância no ensino da língua portuguesa, ainda notamos resistência de professores mais arraigados a questão da gramática normativa, assim como, de grupos socialmente de prestígio.

Além da mídia, falada ou escrita, que corrobora com a ideia de uniformidade linguística em detrimento de características e particularidades de cada região, estigmatizando as formas populares, tornando a língua um fator mais de exclusão social do que um instrumento de inserção e participação social efetiva na produção do conhecimento e ao exercício da cidadania.


Portanto, é perceber que cabe ao Pedagogo / professor compreender os conceitos linguísticos para que efetivamente o ensino de língua portuguesa possa ocorrer de modo claro, objetivo e valorativo da diversidade linguística do aluno.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A MAIS VALIA DE KARL MARX



Entendendo o que significa esse conceito Marxista:


MAIS VALIA ABSOLUTA E RELATIVA



O burguês é o dono da força de trabalho dispondo da maneira que achar mais lucrativo. É justamente nessa possibilidade de dispor sobre o trabalho humano que se concretiza o que Marx chama de mais-valia. É essa prática que gera lucro para o capitalista.


Precisamos entender o que significa a mais-valia: é a diferença entre o valor produzido pela força de trabalho e o custo de sua manutenção.

Um exemplo pode tornar mais fácil de compreender esse conceito-chave para o marxismo e para entender de que forma o lucro do capitalista é a expropriação do trabalhador.

Vamos supor que um operário contratado para trabalhar oito horas por dia na fábrica de chapéu. O capitalista lhe paga um salário de 24 reais por dia, ou seja, 3,00 reais por hora, esse operário produz 200 chapéus por mês. O chapéu é vendido por 50,00 reais cada um. 

Podemos imaginar que esse burguês gasta com matéria-prima, desgaste das máquinas, energia elétrica, etc. 2.000,00 reais por mês. Logo, ele tem de lucro 8.000,00 reais por mês com a produção desse operário.

Se num mês ele trabalha 240 horas, ele produz na verdade 33,33 reais por hora (8.000,00 dividido por 240). Portanto, em oito horas de trabalho, ele produz 266,64 reais e recebe 24 reais.

A mais-valia absoluta é o valor que o operário produz descontando o valor da sua força de trabalho. Se sua força de trabalho vale 24 reais e ele produz 266,64, a mais-valia que ele dá ao capitalista é de 242,64 reais.

Percebemos, então que o operário trabalha a maior parte do tempo de graça para o patrão. A diferença entre o que o operário produz de valor e o que ele recebe é o tempo que o operário trabalha de graça e o que o capitalista embolsa e gera o lucro.

A primeira forma é denominada de mais-valia absoluta, o aumento máximo da jornada de trabalho. Essa forma é muito conveniente para o capitalista, já que ele não precisa majorar seus gastos com máquinas e com o local de trabalho e alcança um rendimento maior da força de trabalho. 

No entanto, não se pode estender indefinidamente o tempo de trabalho. Devido a esse limite, foi necessário ao capitalista criar uma nova forma de fazer com que o operário produzisse mais, reduzindo o tempo de trabalho necessário, sem reduzir a jornada de trabalho. Essa forma é a mais-valia relativa que só é possível graças à introdução de máquinas modernas, desenvolvimento da tecnologia e ampliação da produtividade. 

Portanto, uma verdade que não deve ser apagada e nem esquecida é que o trabalhador é um despossuído que deve vender a única coisa que lhe restou, a sua força de trabalho e que, ao contrário do capital, essa mercadoria, a força de trabalho, não pode ser acumulada e muito menos poupada. 

Assim, na relação com o capitalista, o proletário vai normalmente perder, seja quando o capitalista aumenta os seus lucros ou quando perde capital.  


PARA PENSAR!....

Marx (2006, p. 66) afirma que “o trabalhador não ganha necessariamente quando o capitalismo ganha, mas perde forçosamente com ele”. Além do mais, “os preços do trabalho são muito mais constantes que os preços do meio de subsistência. Muitas vezes, variam contrariamente”.

“O trabalhador não tem muita opção: ou ele vende a sua força de trabalho a quem quer comprar ou morre de fome. Já o capitalista pode escolher entre um exército de desempregados aqueles que aceitam ganhar menos."
Como nos alerta Marx, “a guerra industrial, para produzir resultados, exige grandes exércitos que podem concentrar-se num ponto a ser sacrificado sem restrições. Os soldados deste exército suportam cargas que sobre eles são postas, não por devoção ou por dever, mas apenas para escapar ao duro destino da fome." (p. 79).


Um abraço!

Jacy Marques Passos

segunda-feira, 30 de maio de 2016

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